FLEC pede ajuda a Macron

A propósito da visita que o Presidente francês fará no final deste ano a Angola, a FLEC – Frente de Libertação do Estado de Cabinda dirigiu hoje a Emmanuel Macron uma carta em que fala da “situação política extremamente crítica que actualmente reina no território de Cabinda”.

Eis o conteúdo dessa carta: «Desde 28 de Janeiro, as autoridades angolanas decretaram uma caça ao homem contra os jovens cabindenses que só queriam manifestar-se pacificamente no dia 1 de Fevereiro de 2019, data do aniversário do Tratado de Simulambuco, tratado que havia colocado Cabinda sob protecção Portuguesa.

Os organizadores da manifestação tomaram o cuidado de informar todas as autoridades nacionais e territoriais sobre o evento, de acordo com a Constituição angolana em vigor no território ocupado de Cabinda.

Infelizmente, antes do dia da manifestação, as autoridades policiais procederam a detenções brutais de todos os organizadores e alguns dos seus familiares, totalizando hoje mais de 60 pessoas nas prisões de Cabinda, sem julgamento formal, sem visitas, continuando ainda a procurar outros jovens que estão a fugir para o Congo a busca de protecção.

Senhor Presidente, por este meio solicitamos a vossa intervenção junto das autoridades angolanas, não como doador de lição paternalista, mas no quadro do respeito dos compromissos recíprocos, no respeito dos tratados internacionais sobre os direitos humanos de que o Angola é signatária, instando-os a proceder imediata e incondicionalmente à libertação de jovens injustamente detidos.

O Senhor Presidente sabe muito bem, assim como nós, que ameaçar a juventude de um território é comprometer o futuro desse povo e desse território. Será que o direito de exercer a sua cidadania é um crime de estado?

Senhor Presidente, os Cabindas sofrem uma negação de justiça dentro do seu próprio território, e é do vosso dever, Senhor Presidente, como Humanista e Presidente do país dos direitos humanos de vir ajudar ao resgate desta Juventude, porque esperamos mais de V. Exa. para aconselhar as autoridades angolanos que chegou a hora de resolver o nosso diferendo através do diálogo, para fazer de Cabinda um bom lugar para viver, como o Presidente João Lourenço prometeu durante sua campanha eleitoral.

Sem mais nada de momento, contamos com vossas capacidades e na vossa franqueza, devido às relações privilegiadas que o seu país tem com Angola.»

A visita de Emmanuel Macron a Angola

Segundo o embaixador francês em Luanda, Sylvain Itté, a visita terá de coincidir com a concretização de projectos de investimento francês que arrancaram com a visita do chefe de Estado angolano, João Lourenço, a França, em Maio do ano passado.

Sylvain Itté disse que a companhia petrolífera francesa Total vai continuar em Angola, lembrando que a empresa foi das primeiras a investir no país logo após a independência, em 1975, e que opera, entre outras áreas, na área dos produtos refinados e na abertura de postos de combustíveis.

Segundo o diplomata, a Total está “empenhada” no Projecto Eiffel, que abrange escolas públicas angolanas, que financia há dez anos e que estão reconhecidas como “algumas das melhores no país”, havendo também projectos de formação de quadros técnicos em vários sectores.

“É uma presença [francesa] que espero que vá continuar a desenvolver-se, não só com a Total, mas também com as outras empresas”, sublinhou, exemplificando com a cervejeira Castel, que detém a marca Cuca.

“Muitos não sabem que a Castel é a primeira empregadora privada de Angola”, disse Sylvain Itté, que recordou que a Castel investiu num projecto agrícola de mais de quatro mil hectares em Malanje, para a produção do milho que é utilizado no fabrico da cerveja.

“As empresas francesas estão presentes e empenhadas no desenvolvimento do país”, disse, garantindo que essa presença “vai crescer”. “Mas depende também dos investimentos públicos angolanos e da vontade das empresas angolanas investirem directamente no país, pois não devem esperar só o investimento estrangeiro, mas também construir verdadeiras parcerias com empresas estrangeiras e, naturalmente, francesas”.

Questionado sobre o volume do investimento francês em Angola, Sylvain Itté indicou que três dos maiores bancos franceses disponibilizaram uma linha de crédito no valor de 1.500 milhões de euros (repartidos equitativamente por 500 milhões de euros entre o BNP-Paribas, o Crédit Agricole e a Societé General): “Isto significa que há dinheiro disponível para financiar projectos concretos e viáveis do ponto de vista económico a empresas francesas e angolanas”.

Segundo o embaixador francês em Luanda, actualmente, há cerca de 300 empresas francesas com ligações directas ou indirectas a Angola, país onde operam 70 outras em vários sectores.

Sylvain Itté realçou a presença em Angola da Agência de Cooperação Francesa, que financiou dois projectos no valor de 200 milhões de euros, um de distribuição de água potável e outro na agricultura comercial.

“Não é uma questão de saber quanto dinheiro é investido, trata-se de saber, sim, quais os financiamentos disponíveis para as empresas decidirem investir. A parte do Governo francês está feita e as autoridades de Angola começaram a dar condições para o investimento”, sublinhou o diplomata.

O embaixador admitiu que “há ainda muito a fazer” para que as empresas estrangeiras se possam instalar em Angola e “não se podem esconder as dificuldades”. “Mas acho tudo vai melhorar. Da parte francesa, das empresas francesas, há um interesse fundamental em trabalhar com Angola”, disse.

Folha 8 com Lusa

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