Marcos Nhunga: “Países produtores de petróleo subestimam a agricultura”

Por este facto, o dirigente angolano explicou que o Governo de Angola reconhecendo essa lacuna, entendeu diversificar a produção e priorizar os sectores da agricultura e pescas de forma sustentável, para resolver os problemas alimentares e nutricionais da população e limitar os fluxos das populações rurais para as cidades. Falando sobre a “Situação da Agricultura e a Alimentação no Mundo e as Migrações e Desenvolvimento Rural”, na plenária da 41ª conferência da FAO, que decorre na capital italiana de 22 a 29 de Junho, Marcos Nhunga informou que o Governo criou um conjunto de programas de suporte ao desenvolvimento da agricultura, em particular da agricultura familiar, facilitando o acesso dos agricultores às sementes, fertilizantes, à correcção dos solos e a meios mecânicos, a fim de se melhorar a produção e produtividade e atingir-se a médio prazo a autossuficiência alimentar em cereais, tubérculos e produtos da pesca.

Sobre a FAO, o dirigente solicitou e manifestou a esperança de que os montantes concedidos ao Programa de Cooperação Técnica (PCT), de apoio à elaboração de políticas e estratégias agrícolas e pesqueiras, actualmente com uma percentagem de 14% do orçamento global, passe para 17%, conforme estipula a resolução 9/89. O ministro felicitou o novo director- geral da FAO, Qu Dongyu, manifestando-lhe a inteira disponibilidade de Angola para o apoiar no cumprimento dos objectivos da FAO e da Agenda 2030, bem como na implementação da Declaração de Malabo, aprovada pelos chefes de Estado africanos. Ao director-geral cessante, Graziano da Silva, que durante dois mandatos procurou introduzir reformas e inovações na organização, Marcos Nhunga agradeceu o apoio ao país durante o seu mandato, e manifestou o suporte de Angola à proposta do Conselho da FAO de aprovar o prémio “Fome Zero” com o seu nome, em reconhecimento do seu empenho na luta contra a fome e pela segurança alimentar no mundo.

Ainda ontem, o ministro da agricultura debruçou-se sobre os esforços que o Governo leva a cabo contra a fome e a insegurança alimentar, num evento paralelo sob o lema “Fome Zero em África. Progressos para o alcance dos objectivos de Malabo de erradicação da fome até 2025: perspectivas e desafios na região de África”. Acrescentou que depois da guerra de quase 30 anos, a prioridade do Governo foi estimular e apoiar os camponeses para produzirem mais, de forma a diminuir o défice de alimentos e as importações, incentivando a agricultura familiar, associações e cooperativas agrícolas.

No evento, em que participou também o ex-presidente da FIDA, agora embaixador de boa vontade, o nigeriano Kanayo Nwanze, o ministro da Agricultura falou da reabilitação e a criação e de vias secundárias e terciárias para facilitar a comercialização dos produtos agrícolas e convidou os empresários estrangeiros a investirem em Angola. A 41ª sessão da conferência da FAO elegeu no Domingo o antigo vice-ministro da agricultura da China, Qu Dongyu, como novo director-geral desta agência das Nações Unidas, numa disputa em que participaram também Catherine Geslain-Lanéelle, candidata da França e da União Europeia, e Davit Kirvalidze, da Geórgia. Qu Dongyu sucede ao brasileiro José Graziano da Silva, que governou a FAO por dois mandatos, desde 2011.