“Famílias poderão ficar sem sustento”

“Isso vai complicar os nossos lucros e as nossas famílias poderão ficar sem sustento diário, porque é com o dinheiro que ganhamos aqui que estamos a comprar comida para casa, pagar as propinas dos nossos filhos e fazer a poupança para outras despesas”. Gabriel Mutundo, de 23 anos de idade, tem vindo a pensar em mobilizar os colegas para se unirem e falar com o gestor, a fim de entender a sua situação e facilitar a inserção no quadro do pessoal de trabalho.

Para ele, a questão das valências requeridas para trabalhar com as máquinas é uma componente superável, pois, defendeu, ele e os seus colegas podem aprender a manejar os invocados instrumentos modernos. A guarda dos utensílios de trabalho, no local, é encarada por Gabriel Mutundo como uma vantagem dos retalhadores, porque esses materiais colocam a pessoa muito confiante, conforme fez questão de referir, acrescentando que a reacção é sempre inesperada.

Preço determinará a clientela

Enquanto o gestor Firoz acha que a qualidade e a rapidez dos serviços de corte que pensa oferecer a partir de Julho próximo, aliada a garantias de higiene, vão evitar que os compradores dos seus produtos saiam para fora do quintal para a o corte dos mesmos, domingos e Afonso, conhecido por “The game” nessas paragens, estão confiantes de que os seus clientes não deixarão de procurar os seus serviços. “Nós já temos os nossos clientes, que nos confiam e não vão abandonar- nos , por serem pessoas que vendem refeições, então, a factura está garantida”, disseram os cortadores, asseverando que fazem tal trabalho há muito tempo e nunca ficarão pendurados. Reconheceram que quando a secção do corte eléctrico começar, eles terão de se aplicar para garantir as condições de higiene em espaço aberto. Em nenhum momento manifestaram interesse em integrar o corpo de trabalho do armazém, justificando que não nutriam tal pretensão por não estarem habituados a esperar um mês inteiro para receber dinheiro. Finalmente, realçaram que, na busca dos serviços de corte da carne, os preços que serão praticados no armazém é que vão obrigar os clientes a continuarem a usar os seus serviços.

500 Kwanzas da permanência diária

A autorização dos serviços dos retalhadores no interior da NEWACO S.A, que até antes dos depoimentos destes prestadores parecia ser uma benevolência da parte da direcção da referida instituição comercial, ficou teoricamente anulada com a revelação dos primeiros interlocutores dessa classe, afirmando categoricamente que “todos os dias, independentemente de trabalharmos ou não, temos de pagar 500 Kwanzas”. Confessaram, a seguir, ser difícil passar um dia inteiro sem atender um freguês, no entanto falaram daquelas circunstâncias em que, tão logo começam a jornada, se lhes apresenta uma mal-estar, normalmente provocado por doença ou qualquer notícia de casa ou da família que os obriga a largar o turno.

“Às vezes, ganhamos coragem e vamos lá falar com eles para não pagarmos mais no dia seguinte”, revelou Armando Muxi, realçando que nem sempre a solicitação dos prestadores de serviço encontra resposta favorável. Conquanto não tenham divulgado a quem precisamente entregam a renda diária, o jovem assegurou que a prestação financeira não os desencoraja a continuar com o trabalho, porque do mesmo podem colher uma quantia que facilita o sustento de suas famílias. “Por dia, podemos fazer entre cinco e dez mil Kwanzas, principalmente na Sexta-feira e no Sábado, os dias em que há mais compra de carne para festas, praias e “sentadas”(rodas de amigos com comes-e- bebes), detalhou. Armando aplaudiu a medida tomada pelos dirigentes da NEWACO S.A, sobre a exigência da guarda dos machados, porque, segundo ele, evita todas as situações de violência oportunas.

“Conforme está esse machado, a pessoa chega aí na paragem, já cansado, encontra-se com um gatuno que quer roubar o dinheiro facturado do dia, você perde a cabeça e podes lhe dar com isso”, disse Armando Muxi, tendo, imediatamente, recordado de dois casos que envolveram colegas seus de oficio e uns lotadores de táxi, ocorridos em 2016, quando ele e os seus colegas prestavam serviços no armazém de frescos dos mesmos indianos, então localizado bem ao lado esquerdo da AngoMart do Benfica. O residente das bandas do Projecto Zona Verde, município de Belas, informou que os preços variam em função do tipo da carne, adiantando, em seguida, que o peito alto era o mais caro, (mil e 500 Kwanzas), enquanto ao corte de uma caixa de pernil de porco cobravam mil Kwanzas, sendo que, para cortejar o entrecosto, também de suíno, ficava pela metade do primeiro.