Dirigentes de armazém de carne retêm machadinhos dos «cortadores» no fim das jornadas

Firoz, o cidadão indiano que se identificou como um dos responsáveis do armazém de frescos, como são conhecidos os entrepostos que comercializam, essencialmente, carne e peixe congelados, assegurou, ontem, a OPAÍS, que foi a direcção da sua empresa que tomou a decisão de recolher os machados pequenos usados pelos jovens prestadores de serviços de corte ou retalho de carne, a fim de se evitarem tentativas de agressão ou outras tendências de delinquência no local e nos arredores. “Nós permitimos que esses jovens façam esse trabalho aqui dentro e, como a empresa se esforça a pensar em tudo, decidimos passar a receber os machadinhos e guardá-los mesmo aqui, sempre que eles acabam de trabalhar.

Assim, eles não têm como levá-los e usá-los para outras coisas perigosas”, disse Firoz, tendo adiantado que a busca da clientela por parte deles impõe uma disputa cerrada e a insatisfação momentânea de uns pode motivar reservas e, consequentes, vinganças fora do recinto do armazém. O responsável do armazém NEWACO S.A, localizado próximo da AngoMart do Benfica, município de Talatona, em Luanda, reforçou também que outra razão se deveu ao facto de terem ouvido relatos que davam conta de alguns prestadores de serviços do género que se serviam dos referidos meios de trabalho para assaltarem e usarem-nas em brigas, no percurso para casa, alegadamente como meios de defesa.

Segundo ele, as narrativas indicativas de violência de que fez alusão aconteceram todas fora da instituição que representa e, até à data desta reportagem, ainda não teve informações sobre a envolvência de algum dos jovens que operam no interior do seu entreposto comercial. Entretanto, momentos antes dessas alegações, certos transeuntes abordados pela equipa desta reportagem, ao lado da chamada «Ponte do Benfica» contaram que já houve tempos em que o local registava muitos assaltos com “armas brancas”, ao ponto de as vítimas serem ameaçadas com machadinhos, facas de serra e outras normais, além de alicates e escopros. Referiram, igualmente, que, no bairro Benfica, o local em causa era o preferido dos vendedores ambulantes para comercializarem esse tipo de materiais, motivados, na altura, pela presença desses mesmos prestadores de serviço, a quem também designam de trabalhadores, retalhadores ou mesmo cortadores de carne.

Voltando a falar sobre os cortadores de carne, lembrou que, no princípio (em 2017), até situações de insatisfação dos clientes, por falta de higiene, especulação de preço e outros eram reportados por estes aos responsáveis da instituição comercial, de quem esperavam soluções. “Embora estejam dentro do nosso quintal, as cabanas onde os prestadores de serviço cortam a carne foram feitas por eles próprios”, referiu Firoz, acrescentando que, por causa disso, foi preciso explicar aos fregueses que a responsabilidade de qualquer dano nessa secção era da alçada dos jovens. Relativamente ao tão reclamado factor da higiene, os efectivos da empresa tiveram de se impor e exigir que os “cortadores” arranjassem uma lona limpa, na qual devem colocar a carne, de acordo com o entrevistado, que, normalmente, pede a estes “parceiros” para redobrarem os cuidados para com a alimentação dos clientes.

Corte eléctrico em breve

O responsável da NEWACO S.A considerou que a entrada em cena dos prestadores de serviços constitui sempre um elemento susceptível a qualquer conflito com os seus compradores, razão pela qual a sua organização tem em carteira a construção de uma secção que vai fazer o corte da carne com meios eléctricos. “Isso vai ser mesmo aí ao lado”, apontou, referindo-se ao sítio que fica ao lado da parede onde está afixado o preçário geral, tendo garantido que as máquinas modernas só esperam pela de montagem. Questionado se haviam de absolver os jovens que já exercem tal actividade intra-murus, Firoz ponderou tal possibilidade, argumentando que a futura secção precisaria de menos pessoal e requeria valências técnicas que os rapazes não possuíam. Prometeu que as questões de higiene e segurança da quantidade comprada estariam asseguradas, escusando-se de avançar os custos por caixa.